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Desmitificando a Terapia da Fala

Já alguma vez ouviu falar de Terapia da Fala? Já alguma vez precisou ou conheceu alguém que tivesse necessitado de Terapia da Fala? Será esta uma profissão ainda desconhecida na sociedade? No passado dia 6 de março comemorou-se o Dia Europeu da Terapia da Fala. Muitos são os mitos por detrás desta profissão, poucas pessoas sabem ao certo a função de um Terapeuta da Fala. Contudo a Terapia da Fala em Portugal já existe há mais de 50 anos, mas não lhe tem sido dado a devida atenção e divulgação. Criou-se e enraizou-se a ideia de que um Terapeuta da Fala “ensina as crianças a falar”, que é só para “gagos” ou para “surdos”.

O Terapeuta da Fala é o profissional de saúde responsável pela prevenção, avaliação, diagnóstico, tratamento e estudo científico da comunicação humana (comunicação não-verbal, funções associadas à produção de fala e à compreensão e expressão da linguagem oral e escrita) e da deglutição. O Terapeuta da Fala, para além da comunicação sob todas as suas formas, também desempenha um papel essencial quando existe uma perturbação no processo da mastigação e da deglutição.

Mas ao certo, quais são as áreas de intervenção?

1) LINGUAGEM: na criança, quando apresenta dificuldade em todas ou algumas componentes da linguagem; no adulto quando ocorre uma lesão cerebral (AVC, TCE,…) que compromete a capacidade de descodificar códigos linguísticos, sob a forma escrita ou oral (Afasia).

 2) FALA (articulação): perturbação articulatória por omissão e/ou substituição de um determinado som no discurso (“não sabe dizer o L”), distorção de sons (popularmente conhecidos como “sopinha de massa”); nas perturbações motoras da fala (Disartria, Apraxia) em adultos por lesão cerebral como o AVC, quando se verifica uma alteração da programação motora dos órgãos de fonação (língua, lábios, véu palatino, mandíbula,…).

3) LEITURA E ESCRITA: dificuldade na aprendizagem de leitura e escrita em crianças em idade escolar.

3) FLUÊNCIA: perturbações de fluência do discurso, como a Gaguez e a Taquifémia (débito elevado do discurso que compromete a inteligibilidade “compreensão” do discurso).

4) MASTIGAÇÃO/DEGLUTIÇÃO: alterações do padrão de mastigação e/ou da deglutição (Disfagia) por disfunções mecânicas e/ou neurológicas (AVC).

5) VOZ: voz profissional, higiene e saúde vocal, patologias vocais (nódulos, paralisia da prega vocal,…), aquisição de voz esofágica em indivíduos laringectomizados devido a cancro da cabeça e pescoço.

6) MOTRICIDADE OROFACIAL: musculatura da face e da boca comprometida por hábitos orais inadequados (uso de chupeta prolongado, onicofagia – roer as unhas), paralisias faciais, intervenções ortodônticas.

As alterações sindrómicas e/ou perturbações adquiridas que comprometam a comunicação e o processo de alimentação, como as perturbações neurológicas (AVC, TCE), Cancro da Cabeça e Pescoço, Perturbação do Espetro do Autismo, Multideficiência, Surdez, Paralisia Cerebral, entre outros, são foco de interesse de intervenção em Terapia da Fala.

Assim pode-se concluir que a Terapia da Fala não intervém apenas numa faixa etária nem com um só público em especial. As áreas de intervenção são diversas e abrangem uma população-alvo desde os bebés até à idade sénior.

Suzana Mariano – Terapeuta da Fala



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